|
Introdução
Topo
|
29.11.06
\
\ Vigésimo nono e ultimo dia...
O
dia amanheceu muito nublado, mas a esperança é a última
que morre. Acordamos as 5:15 da manhã, pois se fossemos direto
para casa, teríamos 680 km de estrada para rodar. Café
da manhã abundante, comemos mais do que o possível
para agüentarmos o batente, arrumamos as bagagens, carregamos
as motos e... surpresa, minha Falcon estava com o pneu traseiro
furado... que droga! Logo hoje que acordamos bem cedo para ganharmos
tempo... procura borracheiro daqui, procura borracheiro dali...
estavam todos dormindo, tivemos que esperar até as 7:30.
Antes tivéssemos dormido até as 7, mas tudo bem, faz
parte. Eu não estava a fim de arrumar o pneu, queria sossego.
Depois do problema resolvido, estrada... foi só passar a
divisa dos estados que brilhou uma luz no fim do túnel, o
sol finalmente apareceu. Enfim pudemos afrouxar as jaquetas, tirar
as luvas e abrir o respiro do capacete. Eis que no meio da viagem
senti uma ardência violenta no abdômen, droga, certeza
que uma abelha me picou... o pior de tudo é que, geralmente,
picadas de abelha me causam a morte. Sou extremamente alérgico
a picada de abelha, mas tive sorte, foi uma só picada no
tronco, o problema maior ocorre quando tomo picada nas extremidades.
Posso sentir o veneno fluir no corpo, logo fico empipocado, como
se tivesse levado centenas de picadas, a respiração
fica difícil... é o chamado choque anafilático,
da última vez tive que ficar 4 horas no hospital tomando
soro na veia. Que ironia, logo eu que sou inquieto e gosto de andar
por aí... é como um aficionado por leitura ser alérgico
à poeira dos livros... Ao meio-dia estávamos em Bauru,
minha idéia era seguir até a rodovia Castelo Branco
para encontrar um Graal para comer, mas por sorte tinha um em Bauru.
Foi um rodízio de carne e tanto, até tentei dar uma
cochilada depois do almoço, mas o calor era muito. Estrada
de novo, a sensação era de reta final... parecia que
o trecho da Castelo não tinha fim. Ah como foi bom ver as
placas indicando a direção de Itu, nunca estivemos
tão perto de casa... em meia-hora estávamos erguendo
os braços comemorando a vitória e partindo a fita
da linha de chegada, enfim, estávamos em casa.
Após
milhares de kms sobre uma motocicleta, longe de casa e de quem se
gosta, passando fome, frio, calor, dor, desespero, ansiedade, sustos
e medo, enfrentando desertos infindáveis, montanhas de tirar
o fôlego, chuvas incessantes, ventos de mudar qualquer trajetória,
perseguição policial... enfim, estávamos de
volta ao conforto de casa. Confesso que foi difícil, mais
difícil do que imaginei, mas afinal de contas, quem falou
que seria fácil? Durante essa viagem sofremos muito, mas
nos divertimos na mesma proporção, rimos juntos, chorei
sozinho, aprendemos bastante, conhecemos pessoas boas e ruins, conhecemos
lugares que nem imaginávamos existirem, a natureza é
fascinante, fica difícil explicar. Foi uma experiência
e tanto, uma grande oportunidade de notar como nossa vida é
insignificante diante do que existe por aí, e ainda assim,
aprender a dar muito mais valor a cada segundo que a vivemos.

Justo
hoje!

Abelha
desgraçada!
11 comentários
Em
27.11.06, às 21:17:14, junior disse :
???
|